domingo, 11 de abril de 2010

Proposito

Mesmo o querendo longe por necessidade, preciso de ti no instante de agora. Meu sangue corre por sua razão, pulsa o punho por sua causa. Minha força na terra, meu instante no céu. Acelera o coração, minhas mãos podem o acariciar, os olhos brilham, meu motivo de continuar. Eu estou aqui pra você, estou mesmo se não precisar. Simplesmente basta estar. Como o dia em que no frio seus braços me aqueceram, e com um beijo minha boca ficou quente, ali naquele segundo, algo dentro de mim despertou, mas no minuto seguinte também se foi, tão rápido quanto se manifestou. Queria te fazer sentir, as pequenas sensações que fazem sentido e que tem importância em minha vida, queria o fazer sentir, as dores e amores pelos quais me apaixono, queria que em um décimo de vida fosse eu, que ouvisse um grão de areia da praia do que eu ouço, olhasse com olhar perdido pro mundo, e pensasse nessa hora, o quanto alguém te ama. Que entendesse que meu propósito é você e sem isso não há mais emoção.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Você

Sua blusa já esta perdendo o cheiro, o meu a tomou conta. Seu gosto permanece em minha boca, seu cheiro em meus lençóis desarrumados, meu corpo entregue, abraçado ao teu, seu calor posto em mim, e o fogo ardendo em minhas veias. Que saudades de você como aquela noite, a casa inteira nossa, quente.

Tomou meu sangue, deixou sua marca em mim, me seduziu, possuiu até a morte.

A o seu cheiro, não me canso de falar dele, esta em volta de mim, se tornou o meu.

Seu gosto, na minha boca, no meu corpo. Levou contigo o meu.

Onde está você agora? Gosto e cheiro é só o que tenho. Quero tomar o que sobra.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Eu

Eu, 32 anos, solteira. Não me lembro direito como foi a ultima paixão que tive, lembro que foi um namorado, quando eu tinha 15 anos, faz tempo, desde então, não namorei mais ninguém, tentei varias vezes, mas isso depois de alguns dias de intimidade acabou, percebi que não me adaptava mais a outra pessoa. Não era mais necessário a presença de outro na minha vida. Me tornei auto suficiente. Isso aconteceu depois da ultima pessoa que eu realmente amei, depois da ultima decepção que tive, o meu mundo, os meus olhos para o amor mudaram; era apenas uma menina, com aquela pouca idade não sabia ao certo onde estava me metendo, não sabia o quão dura seria minha vida sem aquilo depois, todos esses anos passei buscando o que me pediram há 17 anos, independência. Me procuro no passado, tento achar algo que me valorize agora e me pergunto, por que me tornei tão fria assim? Como aquela pessoa que dizia viver comigo o resto da vida, pode me deixar? Pode me deixar de uma forma tão cruel e grotesca. Não me arrependo de ter me tornado isso que sou, não me arrependo de ter aberto mão a alguns sentimentos que te trouxeram de volta em minha vida, algumas musicas, cheiros, sensações, e lugares. Não me arrependo, não preciso nessa altura da decepção te trazer de volta como amigo, muito menos como herói por ter me feito enxergar o que na época era bom pra mim, como você mesmo disse “você vai me agradecer”, não, não te agradeço.

Você era o único que eu queria bem, o único que me importei sinceramente, o único que me faria ajoelhar. Eu te amava, eu daria minha vida por ti, entendo realmente o que queria pra mim, simplesmente quis arranjar qualquer argumento, pra me deixar sem se ferir. Hoje me sinto acabada, nada mais me motiva alem do meu trabalho por sustento, acordar todo dia de manhã, saio pra trabalhar, pegar esse transito dos infernos, depois logo no se por do sol volto pra casa, ligo a tv, faço qualquer coisa na cozinha e depois durmo, pra no dia seguinte acontecer tudo novamente, me fechando em rotina.

Não agüento mais essa vida, os poucos amigos que tenho, não tem tempo, todos tem um amor pra cuidar nas horas vagas, todos tem uma família para sustentar, um passei com as crianças, um jantar com o namorado.

Realmente não te agradeço, me tornei auto suficiente de mim, me coloquei inteiramente em minha vida, nenhum outro me consome, quando me prova, nenhum gosta do meu gosto, e hoje ponho a culpa em você, que me pediu a anos para ser independente, tanto que nem preciso mais de amigos como disse, não me importa mais a vida com outras pessoas, eu me sustento sozinha. Claro que as vezes, muito de vez enquanto eu penso como seria bom, poder ter alguém, mesmo um amigo se quer... mas logo me volta a vontade de viver nua dos outros, logo me volta a vontade de te provar enfim, que me tornei independente.

Carta


Lembro como se fosse hoje, o dia em que te conheci, era tão lindo seu sorriso, seus cabelos cor de mel, os cachos definidos, adorei quando perdi minha mão neles, seus olhos brilhavam, sua pele tão macia e clarinha, comparada a de um bebe, seu narizinho arrebitado, impunha-se a qualquer situação, sua estatura era baixa, pelo menos mais baixa que eu. Parecia uma boneca. Jamais poderia a esquecer.

Era apenas um menino, que acordava com o propósito de ir soltar pipa na rua, nunca pensei que aquele dia pudesse me fazer sentir algo que me reflete hoje.

Quando descobri seu nome, me encantei. Não cansava de repeti-lo todo instante, Sofia.

Acho que foi amor a primeira vista, na época nem sabia o que sentia, se era certo tudo aquilo, mas me apaixonei pelo seu encanto.

Me lembro que um dia trouxe uma amiga em sua casa pra brincar, e por algum acaso, você se machucou, eu a olhava chorar de longe, me dava um aperto no peito, queria tanto te ajudar. Não sabia o que estava acontecendo.

Crescemos juntos, freqüentando a vizinhança, já era comum você vir aqui em casa, passar o dia todo aqui. Lembro das barracas que montávamos no jardim, de quantos pegas – pegas que eu perdi. Você era ágil, esperta e claro inocente como uma criança.

Me tornei seu melhor amigo, se duvida você era destinada a ser a minha, entramos na adolescência, foi um baque o dia que me contou que beijou o Pedro, perdi o chão. A única coisa que consegui perguntar foi, “e ai?” não estava esperando resposta pior que essa “estou apaixonada por ele”. Aquele dia minha noite não existiu, pensei em você o resto do mês que quis me afastar. Depois desse mês que nada se resolveu, não te esqueci. Você me encontrou na rua, disse que estava namorando. E realmente vi em seus olhos, que estava feliz, você me mostrou aquele meio sorriso quando algo bom te acontece. Percebi que era hora de deixar você ir, falei “que bom que esta feliz Sofia, parabéns”. Depois desse dia resolvi esconder meu sentimento, deixei ele existir, mas o guardei. Apareceram meninas na minha vida, mas não conseguia as enganar, beijava uma aqui, a outra ali, mas não conseguia gostar realmente de ninguém quanto de ti. Passaram alguns anos, você permaneceu fiel a ele, ele fiquei sabendo que tinha te feito chorar, mas mesmo assim, o amor era grande. Chegou a época do vestibular, me mudei de cidade, minha família foi junto. Nada mais me prendia aqui.

Passei dez anos fora, perdi meus amigos, perdi minha melhor amiga.

Hoje sou um advogado bem sucedido, tenho uma casa linda, uma família perfeita.

Mas ainda sinto suas lembranças. Posso fechar os olhos, e ver seus olhos brilharem.

Resolvi voltar para minha cidade natal, ver se acho alguém, algum amigo.

Encontrei com a Olívia, ela me contou qual foi o seu destino.

Você continuou com ele, fez uma faculdade particular por aqui, ele não, estudou fora, conheceu gente, te traiu muitas vezes, mas depois da segunda você não se importava mais, tinha se acostumado, você o amava. Ele se tornou dependente químico, por algum problema quando se casaram não puderam ter filhos, a relatos dos visinhos que ele te batia todos os dias, você agüentava quieta, afinal, o amava. Dizem que na ultima briga, ele tirou do bolso uma faca, te acertou perto do peito, nas costas. Já era de madrugada, não se escutava choro, dor. Estava um perfeito silencio. No dia seguinte a encontraram morta, em um dos cômodos da casa. Escrevo essa carta chorando, se soubesse que ia acontecer isso com você, quem sabe não perderia o respeito, e falaria que te amo.

Agora estou indo no seu velório, vou por essa carta em suas mão, quero que leve com você , esse amor, quero enterrá-lo junto a ti. Junto ao que ontem me tiraram. Você.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Sua Atriz Principal

Não adianta mais negar, dizer que não me ama, olho teus olhos e percebo que é mentira; porque sim, eu sei que a dona de seus sonhos, no qual o fazem acordar e pensar no meio da noite, sou eu...

É triste ver-te enganar, não combina com você essa mentira, se liberte e diga a mim o que sente, me deixe entrar nessa historia, ser sua atriz principal, deixar de ser apenas um sonho, me tornando real. Não sabes minha opinião, posição quanto a ti, meus sentimentos ainda sim se escondem me levando pra longe daqui.

Não pretendo lhe enganar, prefiro apenas que acredite no que lhe convém mais.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Algum Lugar, Um Dia, Naquele Banco, Da Velha Praça...

Tentando um meio de se esconder em um dos bancos daquela praça, procurando na ilusão uma resposta do porque de você ainda estar ali,

Olhando teus olhos, uma viagem sem fim, ou ao menos um fim que ainda não podia ver. Altas conversas, alguns lances de papos passado, algumas perguntas contraditórias, sem sentido algum, uma lembrança que restou, de um banco de praça, de um fogo que deve virar brasa.

Se eu olhar pra trás, em meio a essa grande pequena cidade não há lugar algum que eu possa encontrar que não venha uma lembrança boa sua me perturbar. Ficou na memória aquela pequena escola, um banco o qual a primeira vez pude estar, um pátio todo, aquela rua, aquele curso o qual sonhei em varias vezes o esperar, o caminho imaginário da floresta encantada, o banco da velha praça, uma rampa que um dia me fez pegar nos braços, proporcionou momentos de doces abraços, carinho apertado, afeto sem fim, beijos gostosos, beijos roubados, demorados, esperados, procurados, levemente sonhados, e por fim realizados.

Andar por lá se tornava impossível, olhar ao lado e nos ver sentados, era inevitável, fugir do medo de passar por ali também; ironicamente acreditar que havia esperanças naquele lugar,mostrando aquele amor, e agora por ora se fechar, por lembrar, uma armadura no coração colocar, como se a cada banco de praça ficasse um capitulo, uma pagina da minha historia, uma migalha de amor deixado ali, esquecido por você, perdido por mim e lembrado a cada vez que ali olhar, e dentro do peito, sem muito sentido algo atormentar, nessa hora, é a hora de abrir os olhos colocar os pés no chão e tentar reconhecer que realmente acabou, mas é nessa hora que eu fecho os olhos e penso que existiu aquele momento que hoje por você se apagou, fecho os olhos mais pra sentir novamente aquela boa estranha sensação em que um dia me deixou, mas ai me perco, de olhos fechados saio do chão e vôo alto, passeio pelas ruas da cidade, procurando, lembrando e até mesmo chorando... vendo os lugares que estivemos, como se fosse algo viciante, fazendo a sensação ser tão boa, deixando de lado as coisas ruins. Procuro lembrar de você como se fosse algo perfeito que se passou por mim, como se estar com você a cada minuto tivesse sido lindo e maravilhoso, mas agora seria incapaz de pensar algum minuto que realmente não foi. Dor passa e os momentos já passaram o amor um dia acaba, e esse coração vai se reconstituir, mas coisas materiais seriam impossíveis sumir, pois da minha memória nada se apaga, tudo se conserva, mas o que dói permanece intacto, são as lembranças; resta fazer agora realmente, as palavras que basta querer para serem ouvidas, as lembranças, o amor, a saudade, o beijo, o abraço, o cheiro, os lugares, os olhares...virarem brasa, para por fim se tornarem cinzas.

O Mar (baseado em "Ana e o Mar" - Teatro Mágico)

O mar a encantava, fazia chorar doces lagrimas sobre seu raso, quando ela faltava a praia, o mar se debulhava em prantos, trazia o vento a água revolução no oceano.

Como pode assim o mar ser recíproco a ela, como será controlado esse amor?

Como se ele senti-se que estava sobre sua areia, banhando-se de suas águas, o seu toque o dando cor, suas conchas a ela que as dedicava e com a brisa fazendo fusão do seu cheiro toda tempestade cessava.

Ela e o mar, tesouro no fundo do oceano, a esperando pra encontrar.

Como pode assim uma menina mexer com a força da natureza, controlando estações e emoções, fazendo o vento virar brisa, a chuva calor, a tempestade se acalmar e o mar calmo ter amor.

É a historia do mar, que correspondeu ao meu amor.

Tem um choro de colo que é guardado, todo seu. Um pedido, perdido, desculpa esquecida, arrependimento acomodado, lavado de choro, empurra...